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Sem palavras...

Passei boa parte do dia tentando escrever sobre a tragédia de hoje (06/03/11), em Realengo - RJ.  Ensaiei, deletei, nada era tão pesado como o que estava sentindo. Doze crianças, doze famílias e um homem atormentado por fantasmas pessoais que resolve levar sua vida a cabo, mas não quer ir sozinho. Difícil entender o que aconteceu. Impossível compreender a tamanha brutalidade e o tamanho do vazio carregado pelo louco. Crianças que acordaram sonolentas, tomaram o café-da-manhã, na correria do dia-a-dia e saíram de suas casas em direção à escola, sem jamais imaginar o que aconteceria em poucas horas. Estudei em escola pública, sei como é vestir o uniforme, entrar na fila, cantar o Hino Nacional e ver o astear da bandeira, antes de subir e iniciar os estudos. Creio que, na escola de hoje, não se canta mais o hino, aliás, quase ninguém sabe a letra e o respeito que tínhamos antigamente, tem perdido o valor, ano após ano. Tenho um filho de 13 anos e não...

Tem gente demais fazendo tudo errado...

Tsunami no Japão.  Em instantes, a terra treme, como o chacoalhar de uma peneira; objetos são lançados ao chão, pessoas correm para as ruas, prédios soltam pedaços e uma pequena calmaria parece mostrar que tudo terminou ali. O fundo do Pacífico que nunca deveria ter recebido este nome, inicia um processo irreversível, terrível: a devastadora onde gigante que a tudo arrasta, destrói e esmaga em minutos. Imagino o medo, a impotência e o desespero dos nossos irmãos japoneses; sem ter tempo pra fugir, sem ter pra onde correr, levados pela correnteza indomável. Todos ouvimos falar da intensidade do terremoto que, inclusive pode ter mudado o eixo da Terra. Todos assistimos, perplexos, o que somente Deus poderia controlar: a força do mar. Temos visto e vivido tragédias que, em minutos ceifam vidas; temos vivido dias de escombros e assombros. Se o Tsunami não vem do mar, vem do céu e a onda, neste caso é de lama, carregando tudo pelo caminho. Erro de Deus...

Pra tudo acabar na quarta-feira...

Gente por todos os lados, blocos, fantasias, bandinhas, carros de som! De uma hora pra outra, Maricá, sem estrutura alguma, vira a cidade do carnaval de rua. Hoje, por força da necessidade, andei pelo Centro e vi todo tipo de gente, disposta a se divertir, com perucas coloridas e outros adereços sem nenhuma criatividade, jogando lixo nas ruas e bebendo às 11h da manhã. Nada contra os carnavalescos, mas, se vi isto às 11h, imagino o que pode ser visto à noite ou de madrugada. Sei que alguns dirão: “Aí já é radicalismo! Reclamar do carnaval?!” Não reclamo contra a folia, cada um se diverte como gosta; reclamo de uma cidade entregue às moscas há dois anos e que, depois do carnaval, continuará sem plumas, paetês ou glitter. Esta cidade nem maquiada foi e está sendo jogada no bloco dos sujos sem querer ir. Depois do feriadão, sobram não só o pó, mas também as cinzas, porque Maricá volta ao nada de antes. Outro dia, cruzei com a “Primeira Trama”, em frente a...

O que dizer? Ao mesmo tempo, não posso calar...

Um lugar aprazível, gente acolhedora, clima gostoso, friozinho à noite...lugar tão bom pra morar. É impressionante imaginar o mundo desabando sobre nossas cabeças, mas, foi exatamente isto que os moradores de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e cidades vizinhas viveram. Num estalar de dedos, a serra partiu-se em fendas, encobrindo e engolindo pessoas com uma fome voraz, sem aviso, sem tempo, sem trégua. Sinto-me ignóbil, vontade de saber voar e dar a mão àquelas pessoas que não encontram sorriso pra dar, mas precisam tanto receber. Vontade de abraçar uma a uma e tentar dizer que não estão sozinhas. Hoje vi crianças em um hospital; algumas em choque, outras com um ponto de interrogação tão claro na frente do rosto..."o que aconteceu?"..."onde está minha mãe?"... Vi a diretora de um hospital dar entrevista à uma TV, em meio à lágrimas e, quando o médico se mostra humano, é a face da tragédia, mais forte do que ele mesmo, que o empurra contra o jalec...

SILÊNCIO... RECONSTRUÇÃO... ESPERANÇA..

A minha postura na tragédia é de silêncio. Não busco culpados. (Normalmente as autoridades, nestas ocasiões, são citadas como responsáveis). Não vou por esse caminho. Creio que o silêncio só deve ser quebrado pelas palavras de oração. Deus tem seus caminhos nas tragédias e tormentas. Como explicar? Como entender? Quando leio a coletânea de hinos nos salmos percebo que a consternação, a indignação, devem ser proferidas diante de Deus. Há um lugar em que podemos desabafar, questionar, e chorar, este lugar é o lugar da oração a Deus. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?” – disse Jesus na hora da calamidade. “Onde estás Deus?” – é o que muitas vezes perguntamos neste momento. Quando falo do silêncio não me refiro a uma resignação “burra” que aceita tudo como se tudo viesse do destino atroz. Uma auto-análise deve ser feita pela nossa sociedade consumista que cresce sem planejamento. Como a fé sem obras é morta assim a oração desacompanhada da ação solidária é hipócrita. A...

Como assim... Obama?!?!

Alguém me dê um beliscão ou coisa parecida porque, sinceramente, espero estar num pesadelo e ter tempo de acordar. A política nunca foi tão desavergonhada! Disseram que Obama tinha mérito para receber o Prêmio Nobel da Paz, por “esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”... O bom paulistano diria: “num tô intendêindo!” Os EUA são declaradamente uma potência explosiva, mantém soldados em guerra frontal no Iraque, infiltram espiões em diversos países; Brasil, por exemplo. O “grande irmão” da América do Norte vigia cada passo dos outros governantes do mundo, pronto para sacar uma faca, sempre afiada, para carregar entre os dentes e sangrar, em silêncio, qualquer um que “atrapalhe” o jeito americano de ver as coisas. A águia, símbolo do país, não tem penas, aliás, político americano não tem pena de ninguém, a não ser dele mesmo. Ameaçou a soberania americana, um abraço! Obama não tem nem mesmo um ano como pr...

Peixes Podres

Imagem
Vi no noticiário da tarde, imagens que me deixaram preocupada: descendo o Rio Solimões, afluentes e igarapés, as águas se transformaram em depósitos de peixes em decomposição. Você que já virou o rosto ao passar pela porta de uma peixaria, ou numa rua em final de feira; pode imaginar o odor insuportável que as pessoas que vivem naquelas localidades estão enfrentando. Entre as imagens, um grupo de crianças, sendo transportadas por um barco que navegava sobre os peixes mortos, me chamou a atenção: meninos e meninas cobriam o nariz com toalhinhas, para suportarem o trajeto até a escola. Diante disto, me ficam algumas questões: a quem a população indígena e os ribeirinhos se reportam para que passe a “embarcação de lixo” e recolha os milhares de peixes podres do rio? Aqui no Sudeste, mais especificamente Rio de Janeiro, levam dias para que a Comlurb apareça quando solicitada para alguma ocorrência. Imaginem na Amazônia? Crianças, jovens, pessoas doentes, idosos, todos inalando peixe...